A expansão de Rio Branco a partir dos anos 1970, impulsionada pela migração e pelo crescimento dos seringais, trouxe um desafio permanente para a infraestrutura viária: construir sobre os solos finos da Formação Solimões. A cidade, cortada pelo Rio Acre e com mais de 360 mil habitantes, convive com argilas siltosas de alta plasticidade que complicam qualquer projeto de pavimentação. Em obras que vão desde a recuperação do anel viário até os novos loteamentos na região da Estrada do Amapá, o dimensionamento correto do pavimento flexível define se a via vai durar duas ou vinte temporadas de chuva. Nossa equipe técnica atua em Rio Branco combinando ensaios de campo e laboratório para calibrar cada camada do pavimento à realidade local, evitando trincas precoces e deformações por umidade. Quando o subleito é muito fraco, recorremos a técnicas de melhoramento como a vibrocompactação para densificar o solo de fundação antes de assentar a estrutura do pavimento, garantindo uma plataforma estável mesmo em áreas de várzea drenada.
No Acre, a diferença entre um pavimento que trinca em dois anos e um que dura quinze está na leitura correta do CBR do subleito saturado.
Metodologia e escopo
Considerações locais
A NBR 7207:1982 e as instruções de serviço do DNIT são categóricas sobre a necessidade de proteger as camadas granulares da saturação, e em Rio Branco essa exigência ganha um peso redobrado. A cidade registra médias pluviométricas superiores a 2.100 mm anuais, com uma estação chuvosa que se estende de novembro a abril e transforma qualquer falha de drenagem em um mecanismo de ruína progressiva do pavimento. O que mais encontramos em diagnósticos de vias deterioradas na região central e no bairro Bosque é o bombeamento de finos: a água infiltrada pelas trincas pressuriza a base durante a passagem dos veículos, expulsando o material fino e criando cavidades sob o revestimento. Um projeto de pavimento flexível que ignore a execução de drenos profundos laterais e a selagem imediata das juntas está, na prática, condenado a falhar prematuramente. Sem o controle tecnológico adequado, o custo de reconstrução pode triplicar em menos de cinco anos, sem falar nos transtornos para a mobilidade urbana de uma capital que depende criticamente de suas vias arteriais.
Normas aplicáveis
DNER-ME 049/94 (CBR in situ), ABNT NBR 7207:1982 (Terminologia e classificação de pavimentos), DNIT 031/2006-ES (Pavimentos flexíveis — Concreto asfáltico), ABNT NBR 9895:2016 (Índice de Suporte Califórnia), ABNT NBR 6457:2024 (Amostras de solo — Preparação para ensaios)
Serviços técnicos associados
Estudo geotécnico do subleito
Mapeamento da capacidade de suporte com ensaios CBR in situ e coleta de amostras indeformadas ao longo do traçado da via. Classificação TRB e análise da expansibilidade das argilas locais.
Dimensionamento estrutural do pavimento
Definição das espessuras de reforço, sub-base, base e revestimento pelo método do DNER, considerando o número N de operações do eixo padrão e as características dos materiais regionais.
Controle tecnológico de execução
Acompanhamento da compactação com densidade in situ (cone de areia e frasco de areia), verificação do teor de ligante no asfalto usinado e avaliação da deflexão com Viga Benkelman para liberação da pista.
Parâmetros típicos
Perguntas frequentes
Qual o custo médio para desenvolver um projeto de pavimento flexível em Rio Branco?
O investimento para um projeto completo, que inclui sondagens, ensaios de laboratório e dimensionamento executivo, parte de aproximadamente R$ 100.000 para um trecho típico de via urbana de 1 km. Esse valor considera a campanha de campo com coleta de amostras, os ensaios de CBR e granulometria, e a emissão da ART do projeto.
Por que o CBR do subleito em Rio Branco costuma ser tão baixo?
O solo predominante na região é uma argila siltosa da Formação Solimões, que quando saturada pelas chuvas intensas perde grande parte da capacidade de suporte. É comum encontrarmos valores de CBR entre 2% e 5% na umidade natural, o que exige quase sempre uma substituição parcial do subleito ou a execução de uma camada de reforço com material granular importado de jazidas próximas a Senador Guiomard.
Quanto tempo leva para liberar o controle tecnológico de uma camada compactada?
Os ensaios de densidade in situ e umidade são executados no mesmo dia da compactação. Já o resultado do CBR de laboratório, quando precisamos moldar corpos de prova para verificar a expansão, pode levar de 3 a 4 dias úteis após a saturação, dependendo do cronograma de obra e da urgência da liberação da frente de serviço.
